Resenha: Para Sempre Alice – Lisa Genova

Uma palavra para definir este livro: Obliviate!

Aos fãs de Harry Potter (assim como eu), esta palavra é conhecida por ser o feitiço que Hermione Granger lança sob seus pais para que eles a esqueçam.

Para Sempre Alice é um retrato do mal de Alzheimer.

Alice Howland é uma doutora em psicologia que ocupa uma das cadeiras de Harvard, professora titular na área de linguística, e que foi diagnosticada com mal de Alzheimer de instalação precoce aos 50 anos. Ela tem três filhos: Tom, Anna e Lidya e é casada com John também doutor em Harvard.

“A doença de Alzheimer era um monstro de um tipo completamente diferente. Não havia armas capazes de matá-lo.”

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Para Sempre Alice – Lisa Genova – 288 páginas

O livro é lindo e triste, é possível ver a degradação de um paciente que sofre deste mal, que vai perdendo suas memórias, esquecendo a si mesmo e se perdendo de si mesmo. É uma doença dolorosa e silenciosa.

Os personagens são bem estruturados, cada um lida de uma forma diferente com a doença de Alice, sinto que John não sabia lidar ao ver sua esposa tão inteligente e tão admirada por ele perdendo aquilo que ele mais amava nela, sofria ao ver Alice perdendo seu brilho. De seus filhos, eu fiquei irritada com Anna que se preocupou apenas consigo mesma e com sua vida e não demonstrou muito apoio a sua mãe, apenas no final senti um pouco mais de empatia da parte dela, talvez devido a máxima de todos os pais, você vai entender quando tiver filhos. Tom apenas continuou a sua vida e quando podia estava presente, já Lidya sempre esteve presente e sendo a mais gentil com sua mãe.

“Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos. Então, para que eu vivo? Vivo para cada dia. Vivo o presente. Num amanhã próximo, esquecerei que estive aqui diante de vocês e que fiz este discurso. Mas o simples fato de eu vir a esquecê-lo num amanhã qualquer não significa que hoje eu não tenha vivido cada segundo dele. Esquecerei o hoje, mas isso não significa que o hoje não tem importância.”

O livro no começo me incomodou um pouco por ser contado em terceira pessoa, e estar todo focada na Alice, mas creio que seja por estar acostumada em ler livros contados em primeira pessoa, e fiquei a me perguntar como a autora contaria os esquecimentos em primeira pessoa. De qualquer maneira, o livro é muito bem escrito e conforme Alice vai esquecendo, você como leitor vai esquecendo também, e eu gostei disso.

“Aquele livro grosso, de capa azul brilhosa, representava muito do que ela já fora. “Eu sabia como o cérebro lida com a linguagem e era capaz de transmitir o que sabia. Era uma pessoa que sabia muitas coisas. Agora ninguém mais pede minha opinião nem minha orientação. Sinto falta disso. Eu era curiosa, independente e confiante. Sinto falta de ter certeza das coisas. Não se tem sossego ficando insegura com tudo o tempo todo. Sinto falta de fazer tudo com facilidade. Sinto falta de fazer parte do que acontece. Sinto falta de me sentir desejada. Tenho saudade da minha vida e da minha família. Eu adorava minha vida e minha família.”

E é tão triste. Uma vez assistia a uma entrevista com a atriz Fernanda Montenegro, e em uma das questões era: Quem é você? E ela sabiamente respondeu: Eu sou as minhas memórias!

E desde aquele momento eu me pus a refletir sobre a sua resposta, e passei a entender e concordar. Nós somos as nossas memórias!

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Cena do Filme – Para Sempre Alice

Imagine se você não se lembrar onde mora? Ou o seu nome? Ou quem são as pessoas que você ama? Quem é você sem as suas memórias? Quem somos nós sem as nossas memórias, sem as memórias dos momentos que vivemo, dos pessoas que amamos, das coisas que adoramos. Quem somos nós sem nossas memórias? E o Alzheimer te rouba as suas memórias, rouba a sua identidade, rouba quem você é. Você perde a si mesmo na sua mente, perde tudo o que você ama e tudo o que você é.

Imagine viver apenas nas memórias dos outros e não estar presente em suas próprias memórias? Como é viver nas memórias de todos, menos na sua? É como sentir saudades de si mesmo, mas não ser capaz de sentir-se como si mesmo, porque não se lembra como você é.

“Não há de quê. Obrigada por ter dito isso. Sabe, ultimamente eu não me lembro muito bem. Fico feliz em saber que você se lembrará dessas coisas sobre mim.”

Eu evitei assistir o filme, sem antes ter lido o livro, confira o trailer. Assim que terminei o livro, sequei as lágrimas que me corriam dos olhos e fui assistir ao filme. E o filme ficou emocionante, comovente, uma adaptação muito bem feita!

Boa Leitura! 

Taís Caires

 

 

 

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